O grafite e o piche como forma de comunicação social-urbana.

O grafite e o piche como forma de comunicação social-urbana.


O grafite se coloca no ambiente urbano como uma forma de comunicação, mas que não é transmitida através de nenhuma "internet", rede de dados ou tela de smartphone. Ele é essencialmente uma conexão mais direta da vida urbana com aqueles que ali circulam. Uma forma pura que nasceu com as cidades e grandes centros urbanos e que se manifestam nesses centros de forma a expressar, comunicar, questionar e se manifestar.

Fonte: byJFParanaguá

Surge como forma de manifestação daqueles que não tinham espaço na mídia, no meio social e urbano, serve para dar voz, manifestar gostos, posições políticas, sentimentos, reivindicações. Foi uma forma de linguagem muito usada nas agitações pelas diretas já. É uma forma livre de manifestação e pode ser anonima, isso garante que aqueles que sofreriam repressões caso se manifestassem publicamente, tanto do governo, quanto da sociedade em si, possam se inserir e falar. Isso acontece principalmente em grandes espaços públicos ou em lugares dominados pela elite.

As elites vem lutando contra esse tipo de manifestação e comunicação de um público marginalizado com a sociedade, através desses espaços urbanos e políticos. Políticos buscando uma auto-promoção pessoal não raramente intervem nessas manifestações artísticas, seja com slogan de "Cidade Limpa" ou qualquer outro. O silenciamento das manifestações urbanas de arte, principalmente aquelas que não fazem parte dos hábitos da elite serve como forma de controle social.

"A partir de maio, 1968, culturas jovens populares e/ou de oposição - isentos de qualquer obrigação artística, moral ou social, sem possuírem outro meio para se manifestarem ou muitas vezes nem mesmo o querendo -, começaram a ocupar alguns espaços da cidade. Entre inúmeras ações de protesto, panfletos e jornais, 1261 16° Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores de Artes Plásticas Dinâmicas Epistemológicas em Artes Visuais – 24 a 28 de setembro de 2007 – Florianópolis frases curtas e inteligentes como É proibido o trabalho alienado, É proibido proibir, A imaginação toma o poder, inscritas nos muros da cidade de Paris, marcaram a presença de jovens na história do protesto e projetaram para muitas outras cidades e grupos de jovens a transgressão lúdica de viver a cidade como espaço de comunicação. Túneis, viadutos, elevados, muros, monumentos - espaços especialmente criados e protegidos nos projetos urbanistas - passaram a ser alvo preferido dos grafiteiros."

De Nova York, Berlim a São Paulo a ação policial reprime e tenta calar o grafiteiro. Busca-se calar as condições e os conflitos sociais. Controlar a arte é uma forma de controlar as pessoas, determinando aquilo que pode ser dito e por quem pode ser dito. Em um contexto social onde a internet não existia, os muros eram a única forma realmente livre de se conectar com outras pessoas, sem passar pela censura dos oligopólios e controles midiáticos.
[1] Celia Maria Antonacci RamosGrafite & pichação: por uma nova epistemologia da cidade e da arte CEART/UDESC. 2007.  16° Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores de Artes Plásticas Dinâmicas Epistemológicas em Artes Visuais – 24 a 28 de setembro de 2007 – Florianópolis - Santa Catarina, Brasil. Disponível em <http://anpap.org.br/anais/2007/2007/artigos/127.pdf>. Acesso em 06 de dezembro de 2017. 




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