Arte, grafite e o espaço urbano
Arte, grafite e o espaço urbano
As intervenções artísticas em espaços urbanos mudam o ambiente social, rompendo com as concepções originais de arte. O grafite como manifestação cultural altera as grandes cidades e dialoga com a concienscia coletiva presente no ambiente urbano e suas diversas faces. Esta quebra com os locais originalmente "apropriados para a arte" trás consigo toda um concepção social e cultural, trazendo uma nova problemática para a análise das artes contemporâneas.
Fonte: Melhores Destinos
"Os constantes deslocamentos da arte para outros territórios provocam novas implicações, principalmente em relação à legitimação da arte. Nesse sentido, as intervenções dos artistas grafiteiros em espaços urbanos que, inicialmente são consideradas “marginais”, gradativamente, são assimiladas pelos espaços expositivos de instituições culturais.". O grafite que nasceu nas ruas, quebrando com os paradigmas anteriores da arte, que se apresentava em múseus, quadros, teatros, nasce com toda uma linguagem, dança.
Em um primeiro momento o grafite é marginalizado, excluído e reprimido, em um segundo momento ele passa a fazer parte da arte contemporânea, dos múseus, há uma assimilação de uma parte dessas manifestações urbanas. Ao mesmo tempo em que isto ocorre ainda há a violência e a segregação dessas formas de arte nos espaços urbanos. Enquanto parte desse grafite é eternizado em múseus, outra parte, incrivelmente maior e talvez até mais rica em significados e manifestações, acaba sendo efemera de duração limitada nas ruas, sofrendo diversas intervenções políticas ou mesmo de outros grafiteiros.
"O grafite nos museus e instituições culturais nos faz questionar o papel desse meio, e, segundo a abordagem de Canclini (2006): o museu é a sede cerimonial do patrimônio, o lugar em que é guardado e celebrado, onde se reproduz o regime semiótico com que os grupos hegemônicos o organizaram. Entrar em um museu não é simplesmente adentrar um edifício e olhar obras, mas também penetrar em um sistema ritualizado de ação social."
O grafite do múseu e fora do múseu, daquilo que é conservado e daquilo que é efemero trás estranheza para o público. O grafite hoje faz parte do dia-a-dia urbano, é uma manifestação artística que rompe com os padrões estéticos. É uma forma de arte que busca um contato mais direto, que não pode ser proporcionada por um múseu.
"O diálogo entre a obra, o lugar, o local, o artista e o público, todos buscam um lugar para “se acomodar”, seja no sistema das artes, seja no sistema de relações da sociedade, seja no lugar do outro – podendo ser tanto o artista, como a obra e até mesmo o espectador como participante do processo."
Devemos procurar entender essa manifestação humana. Se somos da
mesma espécie, por que reprimir, tão drasticamente, uma atividade muito
menos perigosa do que as barbaridades sociais, ecológicas e políticas,
corrupções e violência que se sucedem a nossa vista e são enaltecidas pela
mídia? (Apud: GITAHY, 1999, p. 25).
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[1] Lurdi Blauth – Universidade Feevale/RS e Andrea Christine Kauer Possa – Rede municipal de Esteio/RS. Arte, grafite e o espaço urbano. PALÍNDROMO Nº 8 /2012 – Programa de Pós‐Graduação em Artes Visuais – CEART/UDESC – RS, Brasil. Disponível em <http://revistas.udesc.br/index.php/palindromo/article/view/3458/2479>. Acesso em 06 de dezembro de 2017.
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